Do Superávit ao Caos Social: As Eleições que Podem Virar a Página de Milei
O “Dia D” de Javier Milei chegou. As eleições legislativas na Argentina podem marcar o início do fim de seu governo, abalado por cortes brutais, escândalos e crescente rejeição popular.
O Dia D na Argentina: A Motoserra de Milei Pede Arrego
Amanhã, 26 de outubro, a Argentina vive seu Dia D político. O país vai às urnas para renovar metade da Câmara e um terço do Senado, em um clima de desilusão e revolta popular. As pesquisas mostram um cenário difícil para o presidente Javier Milei, o autoproclamado libertário que prometeu “salvar” a economia com sua famosa motoserra fiscal — e que agora enfrenta uma onda de arrependimento nacional.
Em 2023, Milei encantou a classe média com seu discurso contra o “Estado parasita” e promessas de zerar o déficit público. Um ano depois, essa mesma classe média o vê como vilão. O corte seco de subsídios, demissões em massa, congelamento de pensões e o colapso do consumo tornaram o dia a dia insuportável para milhões.
Um porteiro de 67 anos em Buenos Aires resumiu o sentimento geral:
“Trabalho 14 horas por dia, faço bicos, e a cada supermercado me sinto mais pobre. Votei nele, mas agora? Arrependimento total!”
Macroeconomia salva, povo perdido
É fato: os números macroeconômicos impressionam. A inflação, que chegou a 211% ao ano, caiu para 32%, e o país registra superávit fiscal pela primeira vez em décadas. Mas a “salvação” veio com um custo humano devastador.
A pobreza atinge 38% da população, os salários reais despencaram, e as pensões estão congeladas. Nas ruas, o sentimento é de frustração e abandono. Protestos se multiplicam diante de cortes nas áreas de educação e saúde, e a popularidade do presidente derreteu: a desaprovação já chega a 55,7%.
Crises internas e isolamento externo
Como se não bastasse a crise social, Milei enfrenta escândalos dentro do próprio governo. Sua irmã e braço direito, Karina Milei, é investigada por corrupção em contratos de remédios — um golpe duro para quem se elegeu com a bandeira da moralidade.
Externamente, a situação também azedou. Donald Trump, até então um aliado entusiasta, recuou:
“Se Milei perder, não desperdiço tempo com a Argentina”, disse o republicano, esfriando de vez o romance político entre os dois.
De herói libertário a símbolo do desgaste
Javier Milei chegou como o “anti-Lula” latino-americano, um outsider que prometia enterrar o populismo de esquerda e reinventar o Estado. No entanto, o que se vê é um experimento radical de austeridade sem rede de proteção, que mergulhou o país em recessão e desesperança.
O pleito deste domingo não é apenas uma disputa legislativa — é, na prática, um referendo sobre Milei. O povo argentino, cansado de promessas e cortes, pode transformar as urnas em uma grande motoserra política contra o próprio presidente.
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